Atividade Humana

O principal gás com efeito de estufa produzido pelas atividades humanas é o dióxido de carbono (CO2), que representa 75% do total das emissões de gases com efeito de estufa. O dióxido de carbono resulta principalmente da queima de combustíveis fósseis como o carvão, o petróleo e o gás natural. Ora, estes combustíveis fósseis ainda continuam a ser a fonte de energia mais utilizada, quer para produzir eletricidade e calor, quer para abastecer os nossos carros, navios e aviões.

O dióxido de carbono também desempenha um papel importante na respiração, uma vez que inspiramos oxigénio e expiramos dióxido de carbono. Inversamente, as árvores e outras plantas absorvem CO2 para produzir oxigénio quando em presença de radiação solar.

As florestas são, assim, fundamentais, pois absorvem parte do CO2 que produzimos. No entanto, a desflorestação – o abate de árvores, o desbravamento e a queima de florestas – avança em todos continentes, reduzindo a capacidade natural de eliminação de dióxido de carbono.

O metano e o óxido de azoto são também gases com efeito de estufa libertados por atividades humanas. Estes gases são provenientes de aterros sanitários, resultantes da criação de gado, do cultivo do arroz e de determinados métodos de fertilização agrícola.

Alguns destes gases também são ainda produzidos artificialmente: os gases fluorados. Estes últimos são utilizados em sistemas de refrigeração e de ar condicionado e são libertados para a atmosfera quando há fugas ou quando os aparelhos em fim de vida útil não são tratados de forma adequada, isto é, não são adequadamente reciclados. É por esta razão que na Europa e nos Estados Unidos foi criada legislação para a redução da sua utilização.

 

Alterações Climáticas

No século passado, a temperatura média mundial ascendeu 0,6 °C, enquanto a temperatura média na Europa subiu quase 1 °C. À escala mundial, os cinco anos mais quentes desde que há registos (desde cerca de 1860, quando foram concebidos instrumentos capazes de medir a temperatura com uma precisão aceitável) foram, por esta ordem: 1998, 2002, 2003, 2004 e 2001.

Muitos cientistas acreditam que a tendência para o aquecimento se deva principalmente à quantidade crescente de gases com efeito de estufa libertados por atividades humanas. De acordo com os climatólogos, esta tendência vai intensificar-se e, até 2100, a temperatura média mundial deverá subir entre 1,4 e 5,8 °C e na Europa entre 2 e 6,3 °C. Estas subidas de temperatura podem parecer pouco significativas, mas basta lembrar que durante a ultima época glaciar, que terminou há cerca de 11 000 anos, a temperatura média mundial era apenas 5 °C mais baixa do que a atual e que, mesmo assim, uma grande parte da Europa estava coberta de gelo. Isto significa que uma diferença de poucos graus pode ter um impacto enorme no nosso clima.

A longo prazo, as alterações climáticas poderão mesmo desencadear catástrofes, como a subida do nível do mar, inundações ou grandes tempestades, e conduzir a uma escassez de alimentos e de água em algumas partes do mundo. Este tipo de fenómenos irá afetar todos os países mas os mais vulneráveis são os países em desenvolvimento, que dependem frequentemente de atividades sensíveis ao clima e dispõem de poucos recursos económicos para se adaptarem às mudanças ou recuperarem de consequências potencialmente muito graves. É assim muito importante que sociedades e países avaliem a sua vulnerabilidade às Alterações Climáticas e implementem as medidas de adaptação necessárias para proteger pessoas, bens e atividades.

Consequências

  • As calotas polares estão a derreter. A superfície do mar coberta pela calota ártica diminuiu 10% nas últimas décadas e a espessura do gelo acima da água diminuiu cerca de 40%.
  • Os glaciares estão a regredir. Até 2050, é provável que 75% dos glaciares nos Alpes Suíços desapareçam.
  • À medida que o gelo derrete, o nível do mar sobe. No século passado, registou-se uma subida entre 10 a 25 cm e prevê-se que, até 2100, essa subida possa atingir os 88 cm. Neste caso, tomando como exemplo as Maldivas, o delta do Nilo, no Egito, e o Bangladesh seriam completamente inundados. Na Europa, cerca de 70 milhões de habitantes do litoral ficariam em situação de risco. Ainda, a água do mar penetraria o interior e contaminaria os solos agrícolas e as reservas de água doce.
  • A água já é um recurso escasso em muitas regiões do mundo. Quase um quinto da população mundial, ou seja, 1,2 mil milhões de pessoas, não tem acesso a água potável. Se a temperatura global aumentar 2,5 °C acima dos níveis pré-industriais, a escassez de água poderá afetar entre 2,4 a 3,1 mil milhões de pessoas.
  • Atualmente, 850 milhões de pessoas sofrem de fome. Uma subida da temperatura em 2,5 °C poderá deixar mais 50 milhões de pessoas em risco de fome.
  • As doenças tropicais como a malária poderão alastrar, uma vez que as zonas em que as condições climáticas são adaptadas à proliferação do mosquito transmissor da malária vão aumentar. Uma subida de 2 °C na temperatura poderá pôr em risco mais 210 milhões de pessoas.
  • O verão escaldante de 2003 contribuiu para a morte prematura de 20 000 europeus, desencadeou grandes incêndios florestais no sul da Europa e provocou perdas agrícolas que excederam os 10 mil milhões de euros. A partir de 2070, a Europa poderá sentir uma onda de calor como a de 2003 de dois em dois anos.
  • Muitos animais e plantas não conseguirão fazer face à alteração das temperaturas ou deslocar-se para regiões em que o clima lhes seja mais adequado. As alterações climáticas poderão levar à extinção de um terço das espécies da Terra até 2050. Os mamíferos e os pássaros de climas frios, como os ursos polares, as focas, as morsas e os pinguins, são especialmente vulneráveis.

A longo prazo, a generalização das alterações climáticas poderá desencadear conflitos regionais, fomes e movimentos de refugiados, à medida que os alimentos, a água e a energia se forem tornando cada vez mais escassos.